Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com meu jeito
Agora que temos nossa casa
é a chave que sempre esqueço.
Não estava nos meus planos sair da casa dos meus pais nem ter meu próprio cantinho até completar pelo menos sei lá, 30 anos. Mas como a vida na maioria das vezes não segue os planos que a gente perde noites de sono fazendo, a mais ou menos 1 ano acabei achando o homem da minha vida perdido por aí e não tive escolha senão largar tudo e fugir com ele pras colinas. Quer dizer, pra um apartamento quarto-e-sala de uns 30 e poucos m² e com muito potencial pra um começo de vida feliz.
Então, no começo, tudo que tínhamos era um ventilador, dois colchões de solteiro doados pela minha mãe, e pra distrair, uma tv doada por uma amiga do namorado. Na falta do fogão, tudo que comíamos era queijo coalho e salsichão na churrasqueira elétrica, que eram felizmente substituídos nas ocasiões especiais por uma picanha com alho e batatas recheadas com cheddar.
Então chegou a cama, o fogão e a geladeira e a televisão. E depois das coisas essenciais para uma sobrevivência humana digna, veio a minha paixão recém descoberta pela decoração e pelos pequenos detalhes. Descobri que móveis caros não me fazem feliz, e que garimpar móveis antigos e esquecidos em brechós e transformá-los da forma que eu quiser, adicionando a ele um pedacinho meu, é sem dúvida muito mais prazeroso.
Descobri várias outras coisas também, como por exemplo, a falta que um simples coador pode fazer, que as roupas não se lavam nem passam sozinhas, que a cama não se arruma como num passe de mágica e o mais impressionante de tudo: Se você deixar pedaços de presunto na geladeira por mais de um mês, o porco volta como morto-vivo.
O meu salário, antes gasto quase inteiramente em sapatos, passou a ser gasto em coisas supérfluas e desnecessárias de decoração, com destaque significativo para velas, porta-velas, molduras, luminárias e mais velas. Minhas obsessões decorativas.
Então, hoje resolvi apresentar nosso cafofo, meu e do – segundo minha mãe – namoridão, que tem em cada cantinho um pedaço nosso.







